Schaffert, S. &
Hilzensauer, W. (2008). On the way towards Personal Learning Environments:
Neste artigo, os autores identificam sete
dimensões, associadas aos Personal
Learning Environments (PLEs), que acarretam mudanças significativas
relativamente à forma como entendemos, hoje, a aprendizagem, colocando novos
desafios.
1. o papel do aprendente, como
produtor e consumidor de conteúdos (os autores propõem o termo «prosumer»,
resultante de um amálgama entre os dois anteriores;
2. personalização, com apoio e os
dados fornecidos pelos membros da comunidade de aprendizagem em que o
estudantes e insere;
3. a aprendizagem dos conteúdos é
vista como algo constante e como um «bazaar», em que cada membro vai
disponibilizando uma série de recursos, de acordo com os interesses do sujeito
aprendente;
4. a importância do envolvimento;
5. a propriedade dos dados do
estudante, com o respeito pelos dados pessoais, as questões éticas e a necessidade de garantir a preservação dos dados e a sua cópia;
6. a aprendizagem auto-organizada/regulada
e o seu impacto nas instituições e nas organizações;
7. a dimensão tecnológica,
relacionada com a utilização das ferramentas e a agregação de várias fontes de
informação.
Para além de abordarem estas questões,
os autores esboçam uma possível definição do conceito de PLE, destacando a
importância do aprendente enquanto utilizador das ferramentas da web social. Na perspetiva de Schaffert
& Hilzensauer, os PLEs são um conceito ou uma visão ainda em fase de
estabilização.
O foco destes autores, ao exporem o seu articulado de ideias,
centra-se na evolução verificada entre dos LMS (Learning Management Systems) para os PLEs. Essa evolução surge
sintetizada num quadro onde se destacam os sete aspetos referidos atrás e os
desafios colocados pela sua utilização, em contextos de aprendizagem.
Do meu ponto de vista, uma das
mais-valias deste artigo é não considerar os PLEs como uma panaceia. De facto,
os autores têm a preocupação de apontar os pontos fracos e os pontos fortes dos
PLEs. Por exemplo, salientam o facto de haver diferentes formas de aprender: na
verdade, há sujeitos que preferem uma abordagem mais centrada no professor,
porque apresentam, ainda, menores níveis de autonomia. No entanto, na sociedade da informação e do conhecimento, é importante desenvolver as competência digitais e os PLEs podem constituir uma boa forma de recolher, processar e agregar a informação.
Em suma, o artigo apresenta-se
como um bom suporte teórico para a abordagem das questões relacionadas com os PLEs.
Da sua leitura, intui-se que a aprendizagem é um processo que necessita de
recursos e que assenta nos estímulos e nos desafios que os outros nos colocam, associando uma dimensão individual e coletiva. Um PLE ilustra bem as novas potencialidades da web 2.0, mas também da web 3.0, assente em critérios semânticos.